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SANTO ANTONIO
HISTORIA DE UMA FREGUESIA

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Freguesia. Santo António é uma das cinco freguesias suburbanas do Funchal, e tem por limites as freguesias de São Roque, São Pedro, São Martinho, Câmara de Lobos, Estreito de Câmara de Lobos e Curral das Freiras.
Os terrenos que na actualidade constituem esta freguesia pertenceram primitivamente à freguesia da Sé, que então alargava a sua vastíssima área até as faldas dos montes que circuitam o Curral das Freiras, que só em 1790 se desmembrou de Santo António.
Quanto à sua criação, diz-nos o Dr. álvaro de Azevedo numa das suas notas à obra de Gaspar Frutuoso, o seguinte: "A freguesia de Santo António, suburbana do Funchal, foi criada, provavelmente, pelo mesmo tempo que a de S. Pedro, em 1566, tendo ambas sido separadas da Sé".
Escasseiam-nos os indispensáveis elementos para determinar com absoluta precisão o ano em que se estabeleceu esta paroquia mas parece-nos dever remontar a sua criação a época anterior àquela, ao menos como curato autónomo, à semelhança de outros que houve nesta diocese e que constituíam freguesias quase inteiramente independentes e com vida civil e religiosa próprias. Os assentos mais antigos que encontramos no respectivo arquivo paroquial são de 1557, e a partir desta época é regular a escrituração dos termos de baptismo e casamentos, o que nos leva a supor que data precisamente deste ano a criação dum curato autónomo, que seria elevado definitivamente a paróquia mais tarde e em ano que hoje não se pode fixar.
Pelos respectivos livros do registo se sabe que foi o padre Gonçalo Jorge Rodrigues o primeiro sacerdote que, no período decorrido de 1557 a 1559, desempenhou aqui as funções paroquiais, não fazendo nunca indicação da categoria do cargo que exercia. O seu sucessor, Francisco Afonso, de 1559 a 1569, intitulou-se sempre cura, bem como outros que se lhe seguiram. Torna-se muito estranho que, ainda depois da criação da paróquia, continuam alguns sacerdotes que exerciam aqui o múnus pastoral a intitular-se curas, e outros, ora curas ora vigários, como sucede com Afonso Lopes, de 1585 a 1586.

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Foi numa capela da invocação de Santo António, que decerto fazia primitivamente parte duma fazenda povoada, que, por meados do século XVI, se estabeleceu a sede desta paróquia ou ao menos dum curato autónomo, como já acima fica dito. é possível que anteriormente à criação da freguesia tivesse essa ermida seu capelão privativo, como geralmente acontecia em circunstancias semelhantes. Essa capela deu nome ao sítio e depois à paróquia, ignorando-se o ano da sua construção.
Sofreu ela com o decorrer dos anos algumas modificações e mesmo acrescentamentos, mas sendo já pequena para a população, que ia crescendo notavelmente, tornou-se necessário a construção de um templo de mais amplas proporções. O lugar escolhido foi o terreno que fica entre a actual casa paroquial e a estrada publica, e que fazia parte do passal, cedido para esse fim pelo pároco de então, o padre António Afonso de Faria, datando a sua construção do primeiro quartel do século XVII. No período decorrido de 1665 a 1682, se acrescentou a capela-mor e se construíram as capelas do Santíssimo Sacramento e das Almas, realizando-se ainda outros melhoramentos importantes. Não era um templo de acanhadas dimensões, pois tinha 6 altares, sendo interiormente bem ornado em obra de talha dourada. Num provimento de 1756, se lhe chama "igreja rica", debaixo do ponto de vista da sua decoração, mas já nesta época estavam os seis altares velhos e improporcionados", segundo o dizer do mesmo provimento.
0 aumento sempre crescente da população e o estado de ruína, em que o terramoto de l748 deixou a igreja, aconselharam desde logo a construção dum novo e mais vasto templo. Diz uma relação coeva do terremoto: "A igreja de Santo António no frontispício tem varias aberturas: a cantaria da porta principal está desconjuntada e as paredes do corpo da igreja partidas em diversos lugares, como também o estão os das oficinas, e o que se sente mais é o tecto que está em grave dano". Apesar da igreja ficar de tal maneira danificada e dos diligentes esforços empregados pelo respectivo pároco de então, o Dr. António Pereira Borges, a construção do novo templo só começou em 1783, isto é 35 anos depois daquele grande abalo de terra.

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0 local escolhido foi uma courela quase contígua à antiga igreja, constando da tradição que, não se encontrando terreno suficientemente seguro nas escavações para aí se formar o alicerce das paredes, se lançaram nos fundamentos grandes troncos de castanheiros e sobre eles os primeiros blocos de pedra que serviram de base aos muros do novo templo. Pode isto constituir novidade para a Madeira, onde, a pequena profundidade do solo, se descobre sempre terra firme e segura, mas não em outros lugares em que a natureza dos terrenos obriga a lançar mão daqueles e outros processos semelhantes.
Em 1880, sendo governador civil deste distrito o conselheiro José Silvestre Ribeiro e por seu mandado, realizaram-se importantes obras nesta igreja, que consistiram principalmente no soalhamento da capela-mor, reparos nas paredes e torres, retelhamento de todo o templo e outros pequenos consertos. Também em 1852 se fizeram alguns reparos de relativa importância na casa do lavatório e noutras dependências da igreja.
Nunca tinham sido concluídos os campanários, e foi em 1880 que o cónego Feliciano Teixeira, deputado pela Madeira, conseguiu do governo central a verba necessária para o acrescentamento das torres e seu definitivo acabamento. As respectivas obras só se realizaram e concluíram em 1883. Os coruchéus das torres não foram construídos com a indispensável solidez, pois que um golpe mais rijo de vento derrubou o do lado sul a 8 de Março de 1899, havendo necessidade de apear o do lado norte, por não oferecer garantias de resistência.
Tem esta paróquia as capelas de Santo Amaro, de Nossa Senhora das Preces, de Nossa Senhora do Populo, de São João e Santana, de Nossa Senhora do Amparo e do cemitério, nas quais se celebra ainda o sacrifício da Missa. Existe profanada a de São Filipe e encontra-se em ruínas a de Santa Maria Madalena. Já não restam vestígios da capela de Nossa Senhora da Quietação, de Santa Quitéria e de Nossa Senhora das Brotas.
A capela de São João e Santana fica na quinta do Trapiche, que tem anexa uma excelente casa de campo e era propriedade de D. Maria Paula Rego, herdeira do antigo morgadio Gouveia Rego, a que esta quinta pertencia.

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Serviu de residência de verão aos últimos prelados desta diocese e há poucos anos esteve nela provisoriamente instalado o seminário diocesano. Trata-se de adaptar esta propriedade rústica e urbana ao estabelecimento dum manicómio, tendo já alguns enfermeiros de São João de Deus dado começo aos respectivos trabalhos (1921).
Os principais sítios desta freguesia são: Casas Próximas, Romeiras, Courelas, Quinta das Freiras, Terra Chã, Jamboto, Fontes, Ladeira, Chamorra, Encruzilhadas, Vasco Gil, Casas, Casa Branca, Boliqueme, Barreira, Trapiche, Curral Velho, Laranjal, Lombo dos Aguiares, Pomar do Miradouro, Ribeira Grande, Lugar do Meio, Salão, álamos, Penteada, Quinta do Leme, Madalena, Levada do Cavalo, Pilar, Pico dos Barcelos, Santo Amaro, Tanque, Alecrins, Preces, Pinheiro das Voltas, Santa Quitéria, Pico do Cardo, Três Paus, Viana, Ribeiro dos Socorridos e Fajã. Além dalgumas escolas moveis, tem esta paróquia nove escolas oficiais de ensino primário, que funcionam nos sítios da Madalena, Casas Próximas, Salão, Terra Chã, Lombos dos Aguiares, Trapiche, Encruzilhadas, Chamorra e Romeiras.
Não queremos deixar de referir-nos aos importantes melhoramentos realizados na igreja paroquial desta freguesia no período decorrido de 1922 a 1928, em que se despenderam mais de trezentos contos de réis, recolhidos por subscrição pública entre os respectivos paroquianos. A esses melhoramentos, veio juntar-se o da colocação dum magnifico relógio em uma das torres do campanário, dadivosa oferta do benemérito industrial Henrique Hinton, a qual presta um excelente serviço a esta populosa freguesia.
é Santo António a freguesia mais populosa desta ilha, sendo o total de habitantes em 2001 de 40 mil habitantes, onde em 1921 era de 8832 habitantes, sendo já na altura a mais populosa. Hoje em dia podemos afirmar que Santo António é uma freguesia muito rica em património com autênticos monumentos ainda em muito bom estado, um grande desenvolvimento na cultura com várias instituições como Casa do Povo, Juventude Antoniana, Grupo de Campismo, Clube Futebol Andorinha e Centro Cultural de Santo António, o popular Pico dos Barcelos sendo visitado todos os dias por inúmeros turistas, sendo tudo isto e não só o mostrar de um grande desenvolvimento sócio-económico-cultural nesta chamada freguesia de Santo António.

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